Se tem uma coisa que eu adoro em ver filmes de ação mais antigos é o fato de muitos não terem os exageros de hoje em dia. Em Straight Time (1978), Dustin Hoffman é Max Dembo. Ex-presidiário, Dembo sai da prisão e tenta mudar de vida. O diálogo inicial com o seu supervisor da condicional mostra a agonia de um homem que tenta viver como todo mundo, mas que é forçado a viver como ex-presidiário. "Aqui fora vale o que se tem no bolso, lá dentro vale o homem", explicando à nova e linda namorada (Theresa Russell) porque muitos preferem ficar presos. Logo ele percebe que o seu normal não é o normal e volta ao crime.
Além dos diálogos sobre as distorções do capitalismo, o filme é uma delícia pra quem gosta de saborear um filme sem o tempero exagerado dos dias de hoje. No roubo ao banco e à joalheria, descritos no making-off original de 1978 como uma das cenas mais realistas de assalto história do cinema até então, não tem trilha sonora frenética. Näo tem música nenhuma.
O que ouvimos são as respirações tensas dos assaltantes, o medo das pessoas no banco em seus sustos e sussurros. Na joalheria, os vidros sendo estraçalhados te colocam dentro da cena, se imaginando como você se sentiria naquela situação. Nenhum tiro é dado, nenhuma explosão. Só dois assaltantes em seus 40, tensos...E você fica tenso por eles e pelas vítimas. Diferente dos filmes de hoje, você não espera o tiro mas torce pra que ele não ocorra. Na fuga, o mesmo silêncio. Sem fundo. Só se ouvem os passos, se vêm os olhos assustados. O ritmo está na câmera. Até que uns cinco, seis tiros (sim, não há revólveres de 400 mil tiros por minuto) são dados. Uns mortais. Sem banho de sangue, nada. Só agonia. Só medo. Só raiva. Na vingança, uma certa poesia. A arma de Hoffman aponta pro amigo que o traiu. A câmera pros olhos de Hoffman. Você ouve o tiro, mas continua vendo os olhos. Os mesmos olhos que, na sequência final, olham para a amada e a convencem de que ela não deve ir junto: "porque quero ser pego", ele diz.
É um filme gostoso de se ver, principalmente pra quem gosta de ação mas está cansado das papagaiadas explosivas e trilhas sonoras excessivamente barulhentas da atualidade.
Além dos diálogos sobre as distorções do capitalismo, o filme é uma delícia pra quem gosta de saborear um filme sem o tempero exagerado dos dias de hoje. No roubo ao banco e à joalheria, descritos no making-off original de 1978 como uma das cenas mais realistas de assalto história do cinema até então, não tem trilha sonora frenética. Näo tem música nenhuma.
O que ouvimos são as respirações tensas dos assaltantes, o medo das pessoas no banco em seus sustos e sussurros. Na joalheria, os vidros sendo estraçalhados te colocam dentro da cena, se imaginando como você se sentiria naquela situação. Nenhum tiro é dado, nenhuma explosão. Só dois assaltantes em seus 40, tensos...E você fica tenso por eles e pelas vítimas. Diferente dos filmes de hoje, você não espera o tiro mas torce pra que ele não ocorra. Na fuga, o mesmo silêncio. Sem fundo. Só se ouvem os passos, se vêm os olhos assustados. O ritmo está na câmera. Até que uns cinco, seis tiros (sim, não há revólveres de 400 mil tiros por minuto) são dados. Uns mortais. Sem banho de sangue, nada. Só agonia. Só medo. Só raiva. Na vingança, uma certa poesia. A arma de Hoffman aponta pro amigo que o traiu. A câmera pros olhos de Hoffman. Você ouve o tiro, mas continua vendo os olhos. Os mesmos olhos que, na sequência final, olham para a amada e a convencem de que ela não deve ir junto: "porque quero ser pego", ele diz.
É um filme gostoso de se ver, principalmente pra quem gosta de ação mas está cansado das papagaiadas explosivas e trilhas sonoras excessivamente barulhentas da atualidade.


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