Elephant man, baseado na história de John Merrick, foi o segundo longa de David Lynch. É também bem normal se comparado à Eraserhead, filme que projetou Lynch e fez com que Mel Brooks o conhecesse. Pelos comentários que leio por aí, Elephant Man é mais lembrado pelo enredo em si do que pelo toque autoral de Lynch. Como disse um comentário em Adoro Cinema, não é um filme para adoradores de filmes quebra-cabeça.
Muitos só falam da história comovente de Merrick (John Hurt), que por suas deformidades foi usado como atração em um show de horrores britânico até ser "descoberto" e apresentado como ser humano à (alta) sociedade pelo cirurgião Frederick Treves (Anthony Hopkins). Lynch faz um belo contraste entre o que é visto pelo mundo e o que é sentido por Merrick. Ao ver o corpo, você torce o rosto. Ao conhecer a alma, você chora. Pelo filme ter sido criado como projeto comercial, Lynch parece ter se segurado pra garantir uma grana. Mas em certos momentos, ele deixa sua marca surrealista.
A cena de abertura lembra a de Eraserhead. Como no seu primeiro filme, o diretor usa imagens sobrepostas para mostrar como "surgiu" o Elephant Man. Numa confusão visual, uma mulher é atacada por elefantes. Ela grita, mas o que ouvimos são os elefantes. Ao fundo, o som que parece uma locomotiva em partida (Lynch admite ter paixão pelo período industrial). Tela escura. Fumaça e um choro de bebê.
Em outro momento, Lynch se mostra num pesadelo de Merrick. A câmera entra pelo buraco do pano que lhe cobre o rosto (Lynch tb faz esse movimento em Eraserhead, ao entrar nos buracos negros da mente). Imagens sobrepostas. Sons de fábrica. A câmera se move sobre um corredor escuro e chega à homens movendo uma máquina que parece um tear (como o homem na janela, em Eraserhead). Fumaça. A respiração difícil e agonizante de Merrick até que, num delírio (ou não) o guarda do hospital lhe exibe à frequentadores de um bar. Ao ver o espelho, Merrick se imagina como um elefante. E grita. O som que ouvimos é de um elefante. Ele acorda. Lynch sai.
Nessa segunda parada na Viagem David Lynch, eu gostei de ver que ele não é desses artistas não-convencionais que esnobam a indústria. Talvez isso tenha contríbuido pra ele ser de certo modo mainstream e ao mesmo tempo autoral. Até seus filmes mais doidos parecem ter tido boas saídas (o primeiro que tentei ver foi na locadora pipocão perto de casa). Meu medo de seus filmes vai se tornando, aos poucos, admiração. Na próxima parada, Duna, um filme de ficção científica. Eu não gosto de Sci-Fi.
E daí? Eu tb não gostava de David Lynch.
Leia mais sobre o filme em:(em português) Wikipedia, Tudo é Crítica, Revista Universitária do Audiovisual, O Cinéfilo (em inglês) Time Out: Interview with David Lynch about The Elephant Man.
Muitos só falam da história comovente de Merrick (John Hurt), que por suas deformidades foi usado como atração em um show de horrores britânico até ser "descoberto" e apresentado como ser humano à (alta) sociedade pelo cirurgião Frederick Treves (Anthony Hopkins). Lynch faz um belo contraste entre o que é visto pelo mundo e o que é sentido por Merrick. Ao ver o corpo, você torce o rosto. Ao conhecer a alma, você chora. Pelo filme ter sido criado como projeto comercial, Lynch parece ter se segurado pra garantir uma grana. Mas em certos momentos, ele deixa sua marca surrealista.
A cena de abertura lembra a de Eraserhead. Como no seu primeiro filme, o diretor usa imagens sobrepostas para mostrar como "surgiu" o Elephant Man. Numa confusão visual, uma mulher é atacada por elefantes. Ela grita, mas o que ouvimos são os elefantes. Ao fundo, o som que parece uma locomotiva em partida (Lynch admite ter paixão pelo período industrial). Tela escura. Fumaça e um choro de bebê.
Em outro momento, Lynch se mostra num pesadelo de Merrick. A câmera entra pelo buraco do pano que lhe cobre o rosto (Lynch tb faz esse movimento em Eraserhead, ao entrar nos buracos negros da mente). Imagens sobrepostas. Sons de fábrica. A câmera se move sobre um corredor escuro e chega à homens movendo uma máquina que parece um tear (como o homem na janela, em Eraserhead). Fumaça. A respiração difícil e agonizante de Merrick até que, num delírio (ou não) o guarda do hospital lhe exibe à frequentadores de um bar. Ao ver o espelho, Merrick se imagina como um elefante. E grita. O som que ouvimos é de um elefante. Ele acorda. Lynch sai.
Nessa segunda parada na Viagem David Lynch, eu gostei de ver que ele não é desses artistas não-convencionais que esnobam a indústria. Talvez isso tenha contríbuido pra ele ser de certo modo mainstream e ao mesmo tempo autoral. Até seus filmes mais doidos parecem ter tido boas saídas (o primeiro que tentei ver foi na locadora pipocão perto de casa). Meu medo de seus filmes vai se tornando, aos poucos, admiração. Na próxima parada, Duna, um filme de ficção científica. Eu não gosto de Sci-Fi.
E daí? Eu tb não gostava de David Lynch.
Leia mais sobre o filme em:(em português) Wikipedia, Tudo é Crítica, Revista Universitária do Audiovisual, O Cinéfilo (em inglês) Time Out: Interview with David Lynch about The Elephant Man.


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