La Haine (1995): Conflitos Sociais Franceses

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Áudio: Francês, Legenda: Inglês. Direção:
Matthieu Kassovitz


Um jovem imigrante é deixado em coma após ser agredido por um policial. Uma revolta ocorre no subúrbio onde departamentos policiais são invadidos, carros são queimados, prédios destruídos. No dia seguinte deste fato verídico, ocorre a história fictícia "La Haine" (O Ódio).

Três jovens amigos - um negro, um judeu e um árabe - vivem o dia seguinte à toda a confusão. E durante a exibição da raiva de um, do controle de outro e da certa alienação do terceiro, o filme nos mostra a complexa situação dos subúrbios (banlieues) de Paris. E como cada um destes perfis é, na verdade, parte da vida de todos naquele lugar.

Um ambiente paralelo onde a polícia não respeita os moradores, onde os moradores não respeitam a polícia. Onde vender droga é tão normal quanto fazer pequenos roubos pra garantir um dinheiro. Um lugar do qual um deles acredita que precisa sair pra poder mudar. Um lugar onde se sobrevive, com raiva, medo, alegria, música, preconceito, até... até... como dizia o Africano:

"jusqu’à maintenant, tout va bien" (Até agora, tudo vai bem...
Até que a queda, o impacto, aconteça.)

O filme é em Paris como "Cidade de Deus" é no Rio. Um pouco do que "Do the Right Thing", de Spike Lee, é no Brooklin. A diferença é que ao invés do funk carioca e a batida forte do rap do "Public Enemy", "La Haine" é representado por um remix de Édith Piaf. O DJ coloca o a caixa de som na janela e aumenta o volume de onde, na tarde seguinte ao caos, ouvem-se os versos sampleados:

"Non, rien de rien
non, je ne regrette rien"
(Não, nada de nada.
Não, não me arrependo de nada)

No geral, o filme é mais um retrato periférico. Retrato de contrastes, que mostra problemas sem apontar vítimas ou vilões. Sem dizer quem morre no final. Sem mostrar o que poderia ser feito pra que se viva melhor porque, no fim, isso cabe a todos nós. Afinal, como diz o cartaz que o árabe modifica com spray enquanto estão vagando pelo breu de uma rua escura da Cidade Luz:

"Le monde est à nous"
(O mundo é nosso)
E, apesar de tudo, somos nós que temos que mudá-lo.

"La Haine" mostra o quanto isso é difícil.

2 comentários:

Camila Hareide disse...

Caraca, assisti esse filme numa mostra de cinema em Sampa - acho que em 95 ou 96. Nunca havia encontrado NINGUÉM mais no mundo - além dos meus pais, com quem o assisti - que soubesse desse filme. Tenho até a trilha sonora dele, em algum lugar na casa da mama lá no Brasil. Achei excelente...

beijo

Léo C. disse...

É verdade, é muito bom mesmo. eu só o descobri aqui na Finlândia, na biblioteca. Gostei muito.

Bjo!